Home » Notícias

Balanço Anual 2018

O ano de 2018 terminou e não deixará saudades em termos de investimentos financeiros. Apesar de ter começado de forma positiva, o que permitiu aos principais índices bolsistas mundiais registarem novos máximos históricos, desde o verão e particularmente no último trimestre, a evolução das bolsas reverteu de forma violenta e dramática. E se nas ações vivemos uma verdadeira montanha-russa em termos emocionais e de retornos, noutras classes (crédito, matérias-primas, estratégias alternativas) o cenário e os retornos não foram menos danosos para os investidores.

 

O ano foi pautado por temas como: a sequência interminável de polémicas associadas à administração Trump; o aumento das tensões comerciais entre os principais blocos económicos, com destaque para EUA e China; os avanços e recuos no processo do Brexit; a instabilidade política e o crescimento dos movimentos populistas e a agitação social na Europa (com destaque para Itália e França); problemas económicos e sociais em diversos países emergentes (Turquia, Argentina, Venezuela e México), etc.. E com esta instabilidade assistiu-se a um aumento (que já era esperado) da volatilidade, nos mercados financeiros, mas com uma dimensão e violência totalmente inopinadas o que se acabou por traduzir no pior ano para os investidores da última década, ou seja, desde a crise financeira global de 2007-2008!

 

Os elevados níveis de incerteza / volatilidade abalaram particularmente os mercados acionistas, mas, ao contrário do que ocorreu noutros episódios de crise / queda das ações, nenhuma classe de ativos se mostrou apropriada para assumir o papel de ativo de refúgio para os investidores e as perdas acabaram por ser transversais à generalidade das classes de ativos (crédito, ativos de mercados emergentes, commodities, alternativos, etc.).

 

A queda acentuada da generalidade das bolsas nos últimos meses de 2018 garantiu que praticamente todos os índices acionistas relevantes tenham fechado o ano com perdas (a exceção é o Nasdaq que fechou o ano inalterado) que, globalmente (medido pelo índice MSCI World Euro Hedged), superaram os 10% no ano e quase 15% desde os máximos recentes. Vários dos principais mercados acionistas mundiais entraram “formalmente” em território de “bear market” (tendência de queda) após registarem perdas superiores a 20% desde os seus últimos máximos relativos.

 

Assim, se no final de novembro o cenário era já muito negativo, dezembro revelou-se pouco menos que catastrófico para os investidores, pois não só não proporcionou qualquer rally (um movimento que muitos designam como “o rally de natal”) que permitisse uma recuperação das perdas, como as agudizou violentamente fazendo disparar os indicadores de volatilidade para níveis extremos recentes.

 

A dinâmica das bolsas das últimas semanas do ano acaba por ser o melhor exemplo do ambiente algo esquizofrénico que se abateu sobre os mercados na segunda metade de 2018, particularmente nos EUA. Embora os resultados e as vendas das principais cotadas tenham continuado a crescer a um ritmo forte e todos os indicadores económicos continuarem a apontar no bom sentido (taxa de desemprego em mínimos históricos de 3.7% e um crescimento do PIB acima do nível potencial de médio prazo), o S&P 500 registou uma queda mensal de –9.0%.

 

Na Europa, onde a situação económica é claramente menos brilhante, o mercado caiu “apenas” 5.4% no mês enquanto no Japão a bolsa caiu mais de 10%. Com estas quedas, o índice global de ações fechou o mês com uma perda de quase 7.5% e, no ano, com uma queda superior a -10% valores totalmente diferentes do que todas as casas de investimento antecipavam nos seus outlooks para 2018…

 

E 2019 adivinha-se agitado e repleto de potenciais cisnes negros. Os outlooks divergem e estão longe de ser unânimes nos que diz respeito à performance esperada para os principais mercados e classes de ativos, mas, globalmente, são agora claramente pessimistas / conservadores… Podemos até afirmar que o tom geral é de (excessivo) pessimismo uma vez que, a proporção de newsletters pessimistas atingiu, nas últimas semanas, máximos em quase 3 anos.

 

A velocidade e intensidade do ajustamento no sentimento geral do mercado (de grande otimismo para grande pessimismo), a grande compressão ocorrida nos múltiplos (forward earnings multiples) a que transacionam, depois das correções, as principais cotadas e o “selling climax” que ocorreu nas últimas sessões antes do Natal parecem-nos sugerir uma exaustão da pressão vendedora e um possível ressurgimento de interesse comprador em janeiro.

 

Sim, os próximos meses adivinham-se particularmente agitados, esperando-se novidades nas negociações do Brexit e disputa comercial entre EUA e China.

 

E a saída de Mário Draghi da Presidência do BCE, o ciclo eleitoral na Europa, a dinâmica da Presidência Trump (agora que os Democratas têm uma maioria da Câmara dos Representantes) e o continuar da redução dos estímulos monetários pelos principais bancos centrais, serão fatores potencialmente disruptores e por isso existem riscos.

 

Mas… a estes preços… as oportunidades não são menos abundantes e deverão ser aproveitadas para posicionamentos táticos de curto prazo. E… qualquer surpresa positiva poderá desencadear um importante movimento ascendente nas bolsas!


SGF / GOLDEN WM



« Voltar